PEDRO MOBILIO
http://mobilioo.blogspot.com

Licença Poética

"Liberdade que toma o poeta, algumas vezes, de transgredir as normas da poética ou da gramática."

Liberdade concedida a um artista, não necessariamente um poeta, para se expressar criativamente, sem obediência rígida a um cânone, a uma gramática, a um código ou a um modelo convencional de escrita. Ao sabor deste tipo de liberdade, é possível encontrar os mais diversos desvios à norma poética, desde rimas falsas a versos de métrica irregular, desde temas obscenos em épocas de contenção moral a mistura de várias formas de expressão literária na mesma composição.

Esse é o Mobilio, melhor que ler qualquer livro.
Tio Marcos Aurélio.

C R Ô N I C A S

O Engano - 2000.

Caminhada inesquecível - 2002.

O meu melhor presente - 2002.

Educação no país - 2003.

Mais que uma vida - 2008.

Seja qual for o caminho - 2010.

Apenas um texto - 2010.

Ônibus 174 - 2010.

Estréia de Harry Saco - 2010.

O que vale é o PREÇO!!! - 2010.

Reagem à mudança - 2010.

Ir de Niterói a Barra - 2010.

Por Thesuma Litav - 2010.

À Rua das Margaridas - 2010.

O Destino - 2010.

As férias - 2011.

Porradão de MENGO! - 2011.

As Redes - 2011.

Passado e Presente - 2011.

Avô e Avó - 2011.

O Palhaço - 2011.

Carta ao DETRAN-RJ - 2011.

Despedidas: Natalias e Jackeline - 2011.

Carta ao Roberto Carlos - 2012.

Escolhas ou Oportunidades - 2012.

Vago

Vago.

Vago.



Filho você quase engenheiro é um excelente escritor.
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O ENGANO

Era uma vez Pedrinho.
Ele é fã dos cantores que tocam Cavaquinho.
Queria ter um cavaquinho para tocar. E resolveu mandar uma carta para a Maracatu Instrumentos Musicais. E cometeu um engano. Em vez de escrever cavaquinho, escreveu cavalinho.
Chegando a carta na Maracatu, o gerente mandou a carta para o Haras Analu. Chegando a carta o haras, rapidamente mandaram um cavalinho para o garoto.
Já na casa de Pedrinho, a família estava almoçando, quando de repente: "Dim,dom!"
Pedrinho disse:É meu cavaquinho!
Ele abriu a porta e era um enorme presente. E perguntou:
Um cavaquinho é tão grande assim?
E foi abrir o presente. Era o cavalinho. Toda a família se assustou: Ohhhh!
Pedrinho falou para o carteiro:
Não! Eu pedi um cavaquinho!
Senhor, na sua carta estava escrito cavalinho - disse o carteiro.
Troque esse cavalo por um cavaquinho por favor. - disse Pedrinho.
Está bem. - falou o carteiro.
Dois dias depois, chegou o cavaquinho com o mesmo carteiro.
Pedrinho ficou feliz com o presente.
Pedrinho ficou mundialmente famoso tocando cavaquinho. Ficou muito rico e comprou um cavalinho.

Autor: Pedro Mobilio de Lima
Escolaridade: 4a. Fundamental - Rio de Janeiro - RJ
Características Gerais:
Criança já alfabetizada, que cursa atualmente a 4a. série no Colégio de São Bento, no Rio. É extrovertido e muito observador. Gosta de matemática.
Suas diversões prediletas são: Televisão, Jogos de computador e leitura.
Gosta de resolver problemas que envolvam números. Ele também gosta muito de sua professora de Português que se chama Márcia e que o incentiva muito a escrever.
A Família: Os pais são jovens e vivem em harmonia. Tem uma irmã de 5 anos que é uma criança Especial, e ele a adora. Existe um site dedicado a irmã que pode ser visto em: www.westmariana.com

Pedro Mobilio de Lima
25 de maio de 2000
Pedro com nove anos.

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UMA CAMINHADA INESQUECÍVEL

             Num dia de sol forte em São Lourenço - MG, eu e meu pai resolvemos fazer uma caminhada até a cachoeira da Barra em Carmo de Minas, uma cidade vizinha de São Lourenço. Saímos bem cedo, levamos apenas uma garrafa d'água. Até o pé da serra, levamos quinze minutos. Foi aí que pegamos uma estrada de barro estreita e de subida forte, cortando plantações de café. Era um calor tão grande que tivemos que ficar de sunga e de tênis.
             Chegamos ao topo da serra depois de uma hora de caminhada e a vista compensava todo o esforço.
             Logo no começo da descida, vimos dois homens a cavalo. Um dos cavalos avançou para cima de nós, meu pai me puxou e o cavalo tirou um fino de mim. O moço pediu desculpas e seguimos nosso caminho. Em seguida, vimos uma casa velha igual a um celeiro. Aproximamo-nos e ouvimos um barulho bem forte de um motor. Entramos na casa que parecia mal assombrada, cheia de teia de aranha e muita poeira e um barulho cada vez maior. Foi aí que encontramos um senhor bem idoso e muito sujo. Ele foi gentil, pois nos deu uma explicação do que ele fazia e para que servia a tal máquina barulhenta. Ele explicou que a máquina descascava e separava os grãos de café e ele ensacava. Também explicou que as cascas que eram para jogar fora, serviam como adubo. Agradecemos o senhor e seguimos em frente.
             Minutos depois, vimos uma cerca eletrificada que impedia os gados de fugirem da fazenda. Passamos por uma ponte de madeira bem estreita. Logo depois vimos muitos bois. E vimos um menino próximo de uma casa bem simples. Pedimos água ao menino, em troca, demos uma manga que havíamos achado no caminho. Agradecemos e seguimos nosso rumo.
             Quando já estávamos desistindo, pois estávamos cansados, vimos a cachoeira ao longe. Apressamos o passo e ao chegarmos, tomamos um gostoso banho. Descansamos um pouco, atravessamos a cachoeira, subimos um barranco e saímos numa estrada. Não aguentávamos mais andar, quando ouvimos um barulho de caminhão. Pedimos carona e fomos na carroceria, passamos por várias fazendas. Após uns quinze minutos, chegamos à rodovia, descemos do caminhão e pegamos um ônibus até São Lourenço.
>             Este dia será inesquecível para mim, pois fiz um passeio bem radical, por mais de quatro horas, com meu pai.

Pedro Mobilio de Lima
25 de fevereiro de 2002
Pedro com dez anos.

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O MEU MELHOR PRESENTE

             Quando tinha cinco anos, estava no C A (antes da 1ª série) e era filho único. Não lembro muito o que aconteceu, mas lembro que viajava muito e curtia muitas aventuras. Lembro disso pelas fotos.
             Naquele tempo, não me ligava muito com os dias, sempre viajando e conhecendo novas coisas. Viajava mais do que ficava em casa.
             Comecei a perceber que minha mãe foi engordando e não estávamos viajando com tanta freqüência. Não entendi o fato de ela estar engordando.
             Ela não fazia tanta coisa como antes. Só o meu pai fazia a comida.
             Ela repousava toda a tarde.
             Um dia, quando acordei, vi minha avó na minha casa, sozinha. Perguntei:
                          - Cadê o meu pai e a minha mãe?
                          - Então no hospital. - minha avó me disse
                          - O que houve? - perguntei
                          - Você vai ter uma irmã. - ela falou
                          - Que legal!!
             No dia seguinte, minha mãe chega em casa com minha irmã: Mariana.
             Enquanto eles faziam comida, eu a olhava.
             Qualquer movimento dela, eu ia para os meus pais e lhes falava do movimento feito por minha irmã.
             Foi o melhor presente da minha vida.
             Hoje, Mariana tem Síndrome de West, não anda, não fala, não sorri.
             O melhor presente que quero hoje é sua cura. visite e divulgue o site dela para ajudar a outros pais.

Pedro Mobilio de Lima
03 de novembro de 2002
Pedro com onze anos.

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EDUCAÇÃO NO PAÍS

             Hoje em dia, é muito difícil um país crescer sem educação porque ele não vai para frente e assim várias pessoas não conseguem um bom emprego e não conseguem criar seus filhos.
             Poucas pessoas brasileiras concluem o ensino médio. Algumas precisam sustentar a família que passa necessidade, outras precisam trabalhar nas lavouras. Vemos nos jornais os problemas da educação no Brasil.
             No Rio de Janeiro, várias entidades colocam as crianças fora do caminho das drogas, deixando-as para fazer esportes, estudar, para no futuro, conseguirem se sustentar, e ter um bom emprego. Com o dinheiro que os fiscais do Rio desviaram para Suíça, em ternos de educação, daria para organizar, vários projetos educacionais no País.
             Vamos ver o que o Lula fará para melhorar a educação no país, já que temos como Ministro nessa área o grande Cristovam Buarque.

Pedro Mobilio de Lima
22 de junho de 2003
Pedro com 12 anos.

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Mais que uma vida, Uma história

             Num dia comum, porém especial, do ano de 1858, inaugurou-se no morro de São Bento, próximo ao antigo morro do Castelo, o Colégio de São Bento. Ainda com o Brasil monárquico, a paisagem do mosteiro se contrastava com as baixas construções do centro da cidade. Próximo ao mosteiro e de tamanha importância, merece um grande respeito porque enquanto o país passava por transformações, aconteceram no colégio poucas mudanças e ainda assim permaneceu com um ensino de excelência.
            Os assuntos mais comentados quando se fala da escola são a ausência de alunas e o sucesso acadêmico. Porém, esquecem-se de tratar de algo fundamental: sua história.
            Uma vida de 150 anos. Não se imagina quanta coisa os sinos do mosteiro viram desde a fundação do colégio, como a chegada da República, Revoltas da Armada, da vacina, a revitalização da Avenida Rio Branco (Avenida Central), sempre sem alterar sua tradição. Viram também a subida, a queda e o suicídio de Vargas. Passou pelo período ditatorial, pela ameaça comunista da Guerra Fria, as Diretas Já. Provavelmente viu os alunos do colégio e outros jovens pintarem o rosto no Impeachment do então Presidente Fernando Collor. Seis constituições foram elaboradas durante sua existência. O país mudou, o mundo mudou. Porém, em linhas gerais, o colégio continua o mesmo.
            Não se pode falar do São Bento sem esquecer uma figura tão ilustre como Dom Lourenço. Com quarenta anos de comando no colégio, conseguiu manter a excelência de ensino sem alterar os pilares das bases educacionais beneditinas. Com seu jeito calmo de ser, cumprimentava os alunos nas suas passagens constantes pelos corredores de chão cinza e paredes brancas da escola. Infelizmente, sua aposentadoria entristeceu a muitos e a história no seu coração continua viva, com 97 anos de idade. Sesquicentenário do colégio e centenário de Dom Lourenço. Todas as homenagens para eles.
             Aqueles que se formam, aqui, estão preparados para encarar os problemas da vida, não só o vestibular. Saem homens daqui quando entram meninos. Nunca esquecerei das aulas do sábado, da cerimônia da calça curta, do teatro da primeira série... Se me debulho em lágrimas quando percebo o fim da minha história escolar no colégio, é pelo fato de, como o ferro quente marca no gado o nome do dono, o brasão do colégio estará marcado para sempre no meu coração.

Pedro Mobilio de Lima
08 de junho de 2008

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"Seja qual for o caminho"

“Seja qual for o caminho que optarmos seguir, haverá altos e baixos. E isso é tudo. Se fizermos uma auditoria em nossas vidas, em algum momento questionaremos: ‘e se eu tivesse feito diferente?’. O diferente teria sido melhor ou teria sido pior. Então o jeito é curtir nossas escolhas e abandoná-las quando for preciso, mexer e remexer na nossa trajetória, alegrar-se e sofrer, acreditar e descrer, que lá adiante tudo se justificará, tudo dará certo. Algumas vidas até podem ser tristes, outras são desperdiçadas, mas, num sentido mais absoluto, não existe vida errada”.

Pedro Mobilio de Lima
29 de abril de 2010

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UM TEXTO

A intenção era escrever um texto interessante, um texto que falasse de como eu estou me sentindo, dos meus amigos, da minha família. Um texto curto, mas que tentasse me representar. Um texto que me faça lembrar cada momento maravilhoso que passei, de cada demonstração de carinho que recebi, de cada paisagem bonita que vi, de cada música boa que escutei, de cada amigo, de cada novo amigo, de cada risada, de cada aventura. Poderia descrever minhas vitórias e meus fracassos também, poderia dizer quem eu quero ao meu lado, poderia agradecer a minha família e aos meus amigos por tudo. Foi aí que eu percebi que meu texto estava pronto.

Pedro Mobilio de Lima
26 de junho de 2010

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ÔNIBUS 174

            Dez anos depois desse trágico sequestro no Rio de Janeiro, tive oportunidade de ver, na mesma semana, os dois filmes desse evento: o documentário Ônibus 174, realizado por José Padilha (diretor de Tropa de Elite) e o segundo, última Parada 174, de Bruno Barreto.

            Ambos os filmes, tratam do sequestro, mas com abordagens diferentes. O documentário reune imagens verdadeiras enquanto o filme volta um pouco no tempo e conta toda a história de Sandro, em detalhes.
            Avaliando esses dois filmes, é possível perceber que a história de Sandro se resume a eventos trágicos, como ver a mãe sendo esfaqueada aos oito anos de idade e ver seus amigos mortos na chacina da Candelária.
            O documentário mostra bem a revolta dos pedestres nas proximidades. Eles queriam a cabeça de Sandro. Já o filme mostra Sandro somente como uma vítima da sociedade segregadora. No filme, Sandro não queria assaltar o ônibus. Ele é representado como uma pessoa do bem, convertida pelo abandono e pelos eventos trágicos, que não foram poucos.
            Enquanto o documentário mostra a realidade, o filme vai além. Mostra uma reflexão profunda sobre o futuro de nossas crianças abandonadas. Dizemos muito que a família estruturada é fundamental para uma boa criação, mas Sandro nada disso tinha. Ele não tinha nada a perder. A sociedade retirou tudo dele.
            Como buscamos um país melhor se nesse momento milhares de Sandros estão nas ruas do nosso país passando fome e frio? Como confiar nos políticos que deixam isso acontecer? Como esperar um mundo melhor? Como salvar esses Sandros?
            Para finalizar a melhor cena dos dois filmes pra mim é quando uma refém do ônibus diz ao Sandro: "Você sabe quem é a maior vítima disso tudo? Você."
            Vale a pena ver esses dois filmes. Dá pra fazer uma excelente reflexão sobre o lugar em que vivemos. Comece pelo documentário para relembrar da história.

Pedro Mobilio de Lima
16 de outubro de 2010

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Estréia de Harry Saco

             Era uma sexta especial para muita gente, menos pra mim. O quinto filme de Harry Potter estrearia em todas as grandes salas de cinema do mundo e minha atual ex-namorada comprou um par de ingressos. Contra minha vontade, fui ao cinema.
Ao chegar por lá, já era possível perceber algumas modificações no shopping. Não era preciso procurar muito para se deparar com seres vestidos de bruxos portando varinhas gritando frases em latim semelhantes aos feitiços da série. Naquele momento minha consciência urrava em meus ouvidos: “Desapareça!” No entanto, resolvi dar uma chance ao bruxinho de óculos quebrados. Fiquei.
             O filme começaria às oito da noite. Cinco e meia da tarde eu já estava na fila da entrada, entre as pessoas sem noção com capas e gravatas esquisitas que gritavam sem parar. Eu cheguei a ver um garoto com uma miniatura de Potter em seus braços. Nesse momento, minha consciência já tinha desaparecido e acabara de mandar uma mensagem para o meu celular dizendo: “Hahaha se fode aê!”. Depois de recusar jornais do Harry Potter e receber alguns feitiços, as portas da sala do cinema se abriram. Parecia que Moisés acabara de abrir o mar. Refrigerantes e pipocas caindo no chão, pessoas se atropelando para pegar o melhor lugar entre os oito mil no cinema. Coisa linda de se ver.
             Esse tempo entre a entrada no cinema e o começo do filme é uma tortura. As pessoas tentam se encontrar no cinema e começam a urrar como selvagens: “Ô Jéssica!! Tô aqui! Vem logo!!”. O ritmista da Horto de Zambu entoava: “Alô Dom Zambu.”
[O problema de morar em Niterói é que é perto de Dom Gogal. Enquanto a luz do cinema não se apagava, era possível descobrir facilmente a origem das tribos. Alô Zambu, Alô Itarambu e Alô para outros belíssimos lugares.
             A cidade de Dom Zambu está no livro de turismo do Rio de Janeiro exatamente assim:
             Dom Zambu: (Passe rapidamente.)
Desculpem-me por falar um pouco de Dom Zambu, mas é que eu não aguento paraibagens do tipo: “ô Wanderkleyysson, vem logo nem.”
Voltando ao filme: A gritaria estava no fim quando algum terrorista resolveu apagar as luzes do cinema. A galera com sangue Zambulense recomeçou a selvageria porque o trailer (a salvação dos atrasados) iria começar.
             Como nesse dia eu não estava com sorte, o primeiro filme anunciado pelo trailer era da saga Crepúsculo, que de saga não tem nada, é só uma sequencia de filmes que enriqueceu seus atores e diretores. Assim que apareceu o lobinho sem camisa, as meninas começaram a entoar gritos agudos capazes de derrubar as paredes do cinema ou chegar ao tom das músicas da banda Restart.
Enquanto minha consciência estava na praia mandando fotos pra mim de seu passeio e me sacaneando, o filme prosseguia. O grande problema é que o bruxinho, com dezenove anos, sentia os primeiros efeitos de seus hormônios e as pessoas de quinze anos gritavam em todas as cenas. Um abraço entre Harry sua amada era suficiente para outro momento gritaria, e meus ouvidos não aguentavam mais.
             Depois de duas horas e cacetada na sala de cinema, o filme acabou. Imaginei que o pesadelo havia acabado, mas me esqueci que pessoas anormais levam máquinas de tirar foto para o cinema. Assim, tive que esperar a sessão de fotos dos Zambulense acabar para poder ir embora.
             Era a tão esperada hora de comer alguma coisa. Mas assim que vi a invasão Zamulense na praça de alimentação, optei pela fome. Saí as pressas do cinema e fui pra casa, certo de que jamais aceitaria novamente convite para sessões de estreia, e muito menos pra ir pra Dom Zambulense.

Pedro Mobilio de Lima
17 de outubro de 2010

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O que eu quero é... PREÇO!!!

            O dia já tinha amanhecido, mas eu ainda dormia. Eram dez horas da manhã e já fazia um mês que eu não acordava naquele horário. Assim que levantei, meu pai lançou a seguinte pergunta com um tom de obrigação: “Vamos ao Guanabara?!?” Enquanto meu pai estava no Gua..., minha consciência já estava no aeroporto internacional embarcando para Tóquio.
            Nos arredores do supermercado, já era possível perceber uma anormalidade. Apesar de o trânsito niteroiense ser ridículo, eu nunca imaginava que iria parar no trânsito as onze da manhã. Depois de meia hora, chegamos à porta do supermercado. Por lá, havia um guarda de trânsito. Segundo ele, o mercado estava entupido como nunca antes na história e o dono mandou fechá-lo por algum tempo. Naquele momento descobri algo que meu pai havia escondido de mim: Era aniversário do Guanabara.
            Eu ainda não tinha conseguido entender como um supermercado gigante e com 80 filas de compras estaria lotado, isso só aconteceria se Niterói inteira estivesse lá. Foi aí que percebi que havia um ônibus de São Gonçalo que parava em frente ao mercado. Ahhh maldita São Gonçalo. A população gonçalense estava lá, inclusive o ritmista da Porto da Pedra (Alô São Gonçalo!).
Depois de ficar uma hora na fila da entrada do estacionamento, entramos como gladiadores na cova dos leões gonçalenses.
            Ao estacionar o carro, descobrimos que os 1500 carrinhos do mercado estavam em falta, e para pegar um era necessário ficar em outra fila enorme. Foi aí que meu pai teve a segunda melhor ideia do dia (a melhor estará nas próximas linhas): “Vamos ver como está lá em cima. Se estiver impossível a gente vai embora”. Por mim eu ia embora dali mesmo, mas se eu não tivesse subido aquela rampa esse texto acabaria aqui.
            A rampa de subida pra mim assemelhava-se a um monstro que estava prestes a me engolir. Dali já era possível ver o caos no mercado (como se eu não pudesse ter percebido isso antes). Além disso, eu via nos rostos das pessoas que estava indo embora o retrato do cansaço. Eu peguei a conversa de uma senhora que disse que estava lá desde as seis da manhã!
            Descobri que o inferno era logo acima, no fim da rampa.
            Eu vi de tudo naquele lugar. Enquanto os anunciadores (três) gritavam as malditas promoções dos selinhos, as pessoas se atropelavam para pegá-los. Ali, os seres humanos voltaram a ser selvagens. As filas das compras cruzavam todo o supermercado e crianças corriam alucinadas procurando seus pais. Aquilo não era mais um supermercado, era como um show do Belo grátis na praça principal de São Gonçalo (se é que existe praça por lá).
            Depois de ver um rapaz ‘domando’ três carrinhos super cheios, meu pai teve a melhor ideia do dia: “Vamos embora daqui, agora!”
            O relógio anunciava três horas da tarde quando saímos daquele recinto maldito. Assim que tirei o carro do estacionamento, vi um ônibus de turismo velho com umas 70 pessoas gritando alucinadamente no seu interior estacionando. No vidro da frente estava escrito: ALCÂNTRARA - GUANABARA – SAÍDA AS 8:00hrs. Era uma caravana que vinha fazer compras no Guanabara. Foi nesse momento que minha consciência voltou pra minha cabeça junto com meu bom senso.

Pedro Mobilio de Lima
22 de outubro de 2010

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"Como os brasileiros reagem à mudança de tempo"

30ºC ou mais
- Baianos vão a praia, dançam, cantam e comem acarajé.
- Cariocas vão a praia e jogam futevolei.
- Mineiros comem um “queijin” na sombra.
- Todos os paulistas vão para Praia Grande e enfrentam 2 horas de fila nas padarias e supermercados da região.
- Gaúchos esgotam os estoques de protetor solar e isotônicos da cidade.

25ºC
- Baianos não deixam os filhos sairem ao vento após as 17 horas.
- Cariocas vão à praia mas não entram na água.
- Mineiros comem um feijão tropeiro.
- Paulistas fazem churrasco nas suas casas do litoral, poucos ainda entram na água.
- Gaúchos reclamam do calor e não fazem esforço devido esgotamento físico.

20ºC
- Baianos mudam os chuveiros para a posição “Inverno” e ligam o ar quente das casas e veículos.
- Cariocas vestem um moletom.
- Mineiros bebem pinga perto do fogão a lenha.
- Paulistas decidem deixar o litoral, começa o trânsito de volta para casa.
- Gaúchos tomam sol no parque.

15ºC
- Baianos tremem incontrolavelmente de frio.
- Cariocas se reúnem para comer fondue de queijo.
- Mineiros continuam bebendo pinga perto do fogão a lenha.
- Paulistas ainda estão presos nos congestionamentos na volta do litoral.
- Gaúchos dirigem com os vidros abaixados.

10ºC
- Decretado estado de calamidade na Bahia.
- Cariocas usam sobretudo, cuecas de lã, luvas e toucas.
- Mineiros continuam bebendo pinga e colocam mais lenha no fogão.
- Paulistas vão a pizzarias e shopping centers com a família.
- Gaúchos botam uma camisa de manga comprida.

5ºC
- Bahia entra no Armagedon.
- César Maia lança a candidatura do Rio para as olimpíadas de inverno.
- Mineiros continuam bebendo pinga e quentão ao lado do fogão a lenha.
- Paulistas lotam hospitais e clínicas devido doenças causadas pela inversão térmica.
- Gaúchos fecham as janelas de casa.

0ºC
- Não existe mais vida na Bahia. Nem animal, nem vegetal, nem mineral.
- No Rio, César Maia veste 7 casacos e lança o “Ixxnoubórdi in Rio”.
- Mineiros entram em coma alcoólico ao lado do fogão a lenha.
- Paulistas não saem de casa e dão altos índices de audiência a Gilberto Barros, Gugu Liberato, Luciana Gimenes e Silvio Santos.
- Gaúchos aproveitam o friozinho gostoso para dar a b*****

Pedro Mobilio de Lima
01 de novembro de 2010

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Ir de Niterói a Barra.

             Niterói - Barra. Só de carro por favor.

Depois de ter uma aula de francês no sábado de manhã, eu ainda tinha uma missão: ir pra Barra partindo de Niterói. Infelizmente, como não sou portador de viatura própria, fui de ônibus. Até a Gávea, moleza. Era só pegar o 751 D e pronto. Mas aí aconteceu o pior. Eu tinha que ir da Gávea para a Barra e não sabia que ônibus pegar. Fiquei ali por aquela rua que segue em direção a Barra esperando minha condução. Foi aí que vi um ônibus (175 / Recreio). Pensei: Minha chance. No entanto, o ônibus estava tão cheio quanto o Guanabara no dia em que fui. Impraticável. O motorista nem parou o ônibus porque se parasse, ele jamais sairia do lugar.
Infelizmente o destino pregou-me uma peça. A única referência que eu tinha para casa da minha avó era: “Ela mora perto do novo Guanabara Barra”. Tendo essa PRECIOSA informação fui conversar com transeuntes no local. Foi aí que uma moça disse-me: “Ih esse ônibus que está vindo aí passa lá. Pega ele.” Agradeci e me virei para o ônibus. Lembrei-me de vários filmes em que essa virada clássica de corpo acontece, porém a pessoa que vira o corpo sempre se dá bem. Eu me dei mal, naturalmente.
Aquela carroça que na década de 70 era um ônibus de respeito ia para Vargem Grande, ou seja, se eu dormisse no ônibus, iria acordar com a polícia federal exigindo meu passaporte e a alfândega querendo confiscar meus pertences.
Pulei o primeiro degrau do pau de arara que estava com um buraco e paguei a passagem. Quando fui me sentar, foi difícil escolher um lugar decente. Era possível perceber uma camada de suor grudada nos bancos, camada essa oriunda dos tempos de ditadura e das pessoas voltando para casa do Rock in Rio I (1985).
Após escolher o lugar menos nojento, comecei a reparar no motorista e na cobradora. O motorista era idêntico ao Freddie Mercury e a cobradora era irmã da Queen Latifah.
Faltavam uns 20 minutos até a Barra, então percebi que a cobradora começou a conversar com um rapaz que estava perto dela. Freddie ficou com ciúmes e puxou um Nextel vermelho (aquele que quase não é chamativo) e começou a falar daquele jeito que só quem tem nextel sabe como é: O telefone tem que ficar o mais distante possível do seu dono.
Para mim, o motorista iria ficar alguns segundos falando no celular, porque sua profissão é arriscada e envolve vidas. Mas não, ele optou por dirigir um ônibus a 90 Km/h em um dia chuvoso com uma mão só. Nem queiram imaginar a minha cara quando o motorista começou a fazer zigue zague para entreter sua amada, a cobradora.
Quando saí cuspido daquele ônibus (em frente ao melhor supermercado do mundo), São Pedro resolveu me castigar: armou uma grande chuva exatamente sobre minha cabeça (uma grande área) e Murphy também apareceu na jogada, colocando minha avó no último prédio do condomínio, o mais longe da Avenida das Américas. Cheguei ensopado na casa de vovó após três horas de uma grande saga.
Depois descobri que enquanto eu passava por isso, minha consciência jogava poker com São Pedro, Murphy e o diretor do Guanabara. Eles estavam querendo MESMO me sacanear.

Pedro Mobilio de Lima
06 de novembro de 2010

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"POR THESUMA LITAV"

            Na porta do clube já tava cheio de gente. Animei-me com a esperança de que a festa fosse ser bem legal. Entrei com o Fred cedo, para iniciar os trabalhos logo. Fomos direto para o balcão, comecei a ler as paradas e fiquei perplexo: “Dose dupla de Smirnoff – R$5,00”. Olhei pro Fred com a tradicional cara de “vai dar merda”.
Obviamente não íamos beber aquilo puro, misturamos no copo 1 parte de vodka, 2 de ar e umas pedras de gelo. Certamente o copo estava furado. Depois de alguns refis já estávamos rindo à toa. – Se eu bem me conheço, daqui a pouco já to fazendo merda adoidado - Pensei naquele momento.
Dito e feito, eu me conheço bem, pelo menos. Estamos conversando quando, de repente, surge a “menina 1” – Eu sei que é escroto numerar, mas seria mais ainda citar nomes aqui – Ela parou para falar comigo – É caixa – Pensei logo.
Papo vai, papo vem e o assunto não morre. Fiz algumas piadas como de costume, e ela estava rindo, belo sinal. O álcool ainda não tinha se manifestado e eu já estava achando estranho. Empolguei-me, péssimo erro.
Sempre que fizer piadas, lembre-se de não mencionar coisas que possam ser verdade. Eu, naquele momento, esqueci desse mandamento. Já estava fazendo piadas demais (no máximo três, por favor) quando resolvi encerrar com chave de ouro:
- Porra, te chamei para comer pizza e você ficou na dúvida. Agora eu não sei mais o que fazer, se você recusou seu programa favorito, não sei mais para qual te chamar...
Ela fechou a cara. “Olha o que ele fez!”, era a narração de Galvão Bueno que ecoava na minha cabeça. Ela respirou e eu pensei no velho Nostradamus: “O fim está próximo”.
-Porra, ta me chamando de gorda!?
“Putaquiparil”, pensei. De todos os maus entendidos possíveis, esse era o pior que você pode criar, é melhor até xingar a mãe. Quando uma mulher entende que você disse ou quis dizer isso, dá um trabalho enorme para consertar o estrago, porque você alimenta o complexo que todas elas têm. Já que tava maior fadiga, achei melhor tirar o time de campo.
-Claro que não, vou ali pegar uma dose de vodka, já volto.
E fui.
Estávamos eu e Fred andando na pista. Refletia sobre o que tinha acabado de fazer ao som de um pagode como trilha sonora – Porra, pagode não! - Tava puto, lógico.
Do nada, encontrei a “menina 2” e parei para conversar. Fred reprovou essa atitude com veemência, afinal o DJ tinha acabado de lançar “Miami Bitch”, uma de nossas favoritas. Nas CNTP eu jamais perderia essa música, mas eu estava em dívida com a “menina 2”, ou pelo menos pensava que estava.
Deixe-me explicar. Na última vez que eu encontrei a peça, sofri uma espécie de amnésia, não sei muito bem por que. O fato é que acordei no dia seguinte e só lembrava dela me xingando por ter esquecido seu nome em meio ao processo de desenrolo.
“Vou me redimir e fazer bonito”, matutei assim que parei. É sempre bom pedir desculpa quando você vacila, elas gostam. O problema todo era a minha amnésia anterior. Então a conversa foi basicamente a seguinte:
-Fala aí, tudo bem?
-Tudo bem- Ela respondeu com um sorriso que eu achei estranhíssimo.
-Então, queria me desculpar pela La Vie, não quero que você fique com uma impressão errada minha. – Falei orgulhoso.
-Tá maluco? – Congelei.
-Não, por quê?
-Você esquece meu nome, eu fico contigo e você me pede desculpas por ficar comigo?!
-IH CARALHO! – Deixei escapar, foi mais forte que eu. Naquele segundo Galvão Bueno se esgoelava na minha mente. “Olha o que ele fez! Olha o que ele fez! Olha o que ele fez!”.
A resposta dela eu prefiro nem comentar, em respeito a minha arvore genealógica. Mas vocês podem imaginar. Daí, abaixei a cabeça, ouvi tudinho, e saí desanimado.
Tomamos mais um daqueles drinks: uma de vodka para duas de ar. Naquela altura não tinha mais gelo na casa. Dei uma volta para espairecer. Acabei encontrando um cara que eu tinha conhecido na Bahia, gente boníssima até então. A conversa me fez relaxar um pouco.
Foi quando ví a menina3, que tinha me chamado para tomar uma tequila. “Agora vai!”. Mas, como eu já estava visivelmente alcoolizado, o sussurro que tentei mandar para Fred se tornou um berro:
- Achei!
O parceiro da Bahia se estragou de rir, porque ele conhecia a menina 3 de longa data. Por isso, ele a chamou para conversa e começou a “perder a linha” severamente:
-Tava procurando quem?! Essa loirinha aqui?! É ela?!
Se eu fosse um avestruz, um buraco me viria bem a calhar, poderia eu enfiar minha cachola no breu e me safar daquela situação. Dei umas risadas de nervoso, com vontade de dar um tiro no maluco.
Nisso a menina entendeu que eu tava tirando vantagem por ter ficado com ela, uma semana antes. E lá estava eu, indo para o saco novamente. Para completar ele perguntou:
-Vocês já se pegaram?
Quando eu tava ensaiando um “sim” tímido como resposta, a peça já retrucou.
-Não.
“Que beleza! Essa aí tem orgulho de ter ficado comigo!” Era meu pensamento.
Pelo andar da noite, o suicídio era a única saída, tava foda. – Desculpa o palavreado.
Decidi inovar, nada de vodka, estava dando azar. A velha José Cuervo era a boa naquele momento de tristeza profunda. Depois da luta no balcão para conseguir meu drink, tomei-o em tempo que, se cronometrado, entraria para o Guiness, sem sombra de dúvidas.
Prestei atenção na musica que tocava. “Lá laiá laiá laiá laiá laiá laiá...” – Pagode, de novo. A situação era dramática, comecei a dividir meus bens na minha mente, a morte era questão de segundos...
Advinha?! Surge a “menina 4” – Niterói é um ovo mesmo – Passei do lado dela e a descrição da moça foi das mais ridículas. Comecei a escolher as palavras com cuidado para uma abordagem menos tosca do que as anteriores.
O medo era grande, minha auto-estima estava à beira de um colapso. Mas, mesmo assim, cheguei perto.
Trocamos algumas palavras e ela me perguntou:
-Está solteiro?
-Tô – Respondi vibrante.
Ela riu.
Gol do Flamengo.
Thesuma Litav postará alguns textos por aqui.

Pedro Mobilio de Lima
09 de novembro de 2010

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À RUA DAS MARGARIDAS

             A Rua das Margaridas situava-se no bairro da Urca, margeada por belíssimas árvores e com uma bela vista para a Enseada de Botafogo. Tinha esse nome porque naquela área, antes da urbanização, existia um belo jardim repleto dessas belas flores. Como homenagem, os poucos moradores daquela rua plantaram uma margarida em cada esquina, tomando todo o cuidado necessário para que elas não fossem destruídas.
          Além disso, naquela rua havia uma singela estátua de Getúlio Vargas. Assim, os moradores tinham total responsabilidade sobre as margaridas e sobre a estátua. Varguistas, eles possuíam um apreço enorme em relação ao monumento. Uma vez por mês, hasteavam a bandeira do Brasil e cantavam o hino em alto e bom som, para o Rio de Janeiro inteiro ouvir. No entanto, como a Rua das Margaridas tinha uma bela vista da cidade, a rua começou a se tornar badalada. Ainda mais depois que Sebastião abrira um bar em uma das esquinas. A cada festividade, a rua enchia de jovens, crianças e afins. Aos domingos, grandes amigos de escola encontravam-se para relembrar o passado. A rua tinha um aspecto muito familiar nos fins de semana. Churrascos e shows no bar de Sebastião eram constantes.
          A rua começara a ficar bastante conhecida e muito frequentada. Os moradores começaram a se preocupar com a estátua. Um monumento como o de Vargas tinha que ser muito bem protegido. Conseguiram juntar certa quantidade de dinheiro e fizeram um cercado com correntes de bronze para proteger seu ídolo. No entanto, não havia sobrado dinheiro para os cercados das ilustres Margaridas. Infelizmente, elas ficaram desprotegidas. Até que em um dos jogos do Flamengo, a rua ficou lotada e assim, as margaridas foram pisoteadas. Os moradores só perceberam depois de verificar se a estátua estava em ordem. Regaram a planta e esperaram a mãe natureza agir. Depois de alguns dias as margaridas estavam recuperadas, protegendo cada esquina da rua com seu brilho. Assim, os habitantes de uma das ruas mais conhecidas do Rio passaram a responsabilidade do cuidado das margaridas para a mãe natureza.
            Como o Rio de Janeiro é uma cidade alegre, as festividades durante os anos não pararam de acontecer no bar de Sebastião. E a cada evento, as margaridas eram pisoteadas e dias depois estavam de pé novamente. Porém, os moradores não perceberam que cada vez que as margaridas eram pisoteadas, cada flor perdia uma pétala, como na brincadeira de bem-me-quer/mal-me-quer. E o cuidado com a estátua de Vargas não se alterava de maneira nenhuma. Nas grandes festividades, um dos moradores era sorteado para ficar de guarda ao lado da estátua, para manter sua integridade enquanto as margaridas eram entregues à sorte e à mãe natureza.
            Depois de algumas copas do mundo e carnavais, os moradores tiveram uma grande surpresa em uma segunda-feira nublada. Havia um grande buraco no rosto de Vargas devido a um vazamento de uma tubulação de água na base da estátua. Seguindo aquele ditado popular: “Água mole em pedra dura tanto bate até que fura”, a estátua estava destruída e os moradores não tinham mais condição financeira de consertá-la. Além disso, 40 anos separavam a era Vargas daquela segunda-feira.
            Foi aí que a atenção dos moradores voltou às margaridas. Frágeis ao tempo, só possuíam algumas pétalas. Eles fizeram de tudo para recuperá-las: colocaram adubos para o crescimento das plantas e fizeram um cercadinho de madeira para protegê-las. Depois de um tempo, elas se recuperaram. Foi uma alegria só, com um churrasco ao som de marchinhas de carnaval para comemorar a sobrevivência das plantinhas.
            Até hoje, elas estão lá firmes e fortes, dando seu brilho a Rua das Margaridas. Ainda bem que os moradores conseguiram salvar as preciosas plantas. Poderia ter sido tarde demais...

Pedro Mobilio de Lima
21 de novembro de 2010

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Destino

            Era um dia muito especial para mim e para meus pais. Naquele 20 de junho de 1992, eu completava 1 ano de vida. Dia esse memorável só para todos os meus parentes, porque eu não me lembro de nada.
            Meu condomínio tinha na época uma atmosfera muito familiar. Todos se conheciam e as crianças tinham praticamente a mesma idade. Assim, quando alguém fazia um aniversário, os vizinhos convidados costumavam ajudar a organizar a festa alheia. No entanto, nesse dia 20, quando meu pai decidiu fazer a minha festa, os vizinhos desapareceram. Uns estavam cuidando de suas lhamas cegas enquanto outros estavam dormindo mesmo. Ninguém apareceu para ajudar. Sozinho, meu pai passou a tarde toda realizando os preparativos da festa.
Na hora da festa, como em um passe de mágica, os vizinhos apareceram. Devia ser pelo cheiro dos maravilhosos salgadinhos e quitutes. O tema da festa era bem característico para mim. Palhaço. Mal sabia eu que aquilo era a minha recém nascida consciência tentando alertar sobre meu futuro.
            A festa foi se desenrolando muito bem e como de costume em festas infantis, os pais do aniversariante contratam algumas atrações. Na minha festa não seria diferente. Meus pais haviam contratado um mágico e, naturalmente, um palhaço. O mágico começou a tirar coelhinhos e pombinhas brancas da cartola recebendo aplausos fervorosos das criancinhas tolas. Porém, enquanto isso, Pipoquinha, o palhaço contratado, aguardava o momento do seu show ao lado do bar. Foi aí que ele viu um copo de cerveja solitário na bandeja de um garçom. “Que mal um copo de cerveja vai fazer?” Pensou Pipoquinha. Como já diria um amigo meu, depois da primeira dose a gente perde a conta. Com o palhaço não foi diferente.
            Depois de longos quarenta minutos do show de mágica, o palhaço foi chamado ao palco central da festa. Cambaleando, foi ao encontro das criancinhas. Por sorte, eu havia começado a andar naquele dia, e rapidamente escapei dos ataques de Pipoquinha, o palhaço bêbado. Ele tentou se recuperar. Cantou duas músicas e de repente desabou no chão, machucando seu rosto. O sangue em seu nariz assustou as criancinhas, que correram desesperadas pelo salão de festas a procura de um abrigo. Pipoquinha foi expulso rapidamente e a festa seguiu normalmente, com um extra para a hora do parabéns, quando eu resolvi tocar o fogo queimando meu dedinho indicador (ainda bem que não foi meu polegar oponível).
            Depois dessa festa, meus outros 18 aniversários foram em casa somente para a família com uma singela torta.
           O tempo passou e esses dias eu estava vendo uma reportagem com meu pai na TV sobre empreendedores que começaram do zero e cresceram. Foi aí que apareceu um rapaz que largou tudo para abrir uma rede de supermercados. Quando viu o bem sucedido homem, meu pai disse: “Que engraçado, esse aí parece o palhaço da sua festa de um ano.” Olhei atentamente para a TV procurando descobrir qual era o supermercado comandado pelo eternizado Pipoquinha. Não consegui ver o nome do mercado, mas li uma frase capital que fez minha consciência dar uma risada tão alta capaz de fazer um morador de Caxias ouvir. Em letras pequenas, estava escrito abaixo do letreiro gigantesco:             “Tudo por você.”

Obs: Feliz aniversário Cascon!!

Pedro Mobilio de Lima
07 de dezembro de 2011

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Férias

            Era um dia ensolarado no Centro de Buenos Aires. Os pássaros cantavam alegremente e o céu não contava com nenhuma nuvem. Os monumentos da cidade brilhavam com a luminosidade excessiva e os argentinos estavam alegres, apesar do calor. Ao invés dos deliciosos alfajores argentinos, o dia pedia um grande pote de sorvete. Perto dali, em uma estação de trem, um grupo de brasileiros se juntava para fazer um passeio até o Rio da Prata. Os argentinos, acostumados com a correria do centro da cidade, estranhavam a presença de turistas em um trem comum da cidade.
            Após a entrada no trem, os brasileiros observavam a paisagem enquanto os argentinos, acostumados com a vista, descansavam para um intenso dia de trabalho.
         Na primeira estação, uma argentina linda entrou no trem e um dos brasileiros não deixou de reparar na sua beleza. Quando os olhares se encontraram, começou o trabalho da mente de cada um. Ele começou a imaginar o que ela fazia da vida, qual seria o nome dela, se já tinha ido ao Brasil, como seriam os amigos dela, pra onde ela estava indo. Além disso, ficou se perguntando por que ela estaria tão arrumada naquele momento. A dama fez a mente do Brasileiro trabalhar intensamente.
           Enquanto isso, na cabeça da garota Argentina, diversas perguntas sem resposta era feitas incessantemente. De onde vem aquele garoto? Será que ele não é daqui? Pra onde ele está indo? Por que ele aprecia com tamanha curiosidade a paisagem de Buenos Aires? O que será que ele faz da vida? Como são os amigos dele? Qual o nome dele?
            Depois de algumas estações, a menina teve que descer do trem. Antes de ela sair, na porta do trem, eles trocaram um sorriso suave e sincero, como se já se conhecessem desde a infância.

                        “Quem sabe um dia eu a encontro novamente?” – Pensou o brasileiro.
                        “Quem sabe um dia eu o encontro novamente?” – Pensou a argentina.
                          Quem sabe?

Pedro Mobilio de Lima
29 de janeiro de 2011

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PORRADÃO DE MENGO!

A todos meus amigos flamenguistas.

            Era uma quarta-feira que parecia ser comum, mas seria um dia especial
             Mesmo torcendo pelo time das Laranjeiras, comprei o ingresso para ver a estréia de Ronaldinho Gaúcho no time do Flamengo. Estava tudo acertado: Ingresso com van de ida e volta. O jogo estava marcado para dez da noite, mas as seis e meia eu estava saindo de casa, confundido entre torcedores indo pro Engenhão e trabalhadores voltando pra casa na hora do rush.
             Depois de algum tempo, já estava na porta do Estádio. Não tão imponente quanto o Maracanã, o Engenhão tem sua beleza com seus arcos suspensos iluminados. Ali, já me encontrava com a massa flamenguista. Assumo que fiquei com um pouco de medo, que perdi ao entrar no estádio. O campo ainda estava escurecido e a torcida chegava aos poucos. Quando os refletores se acenderam, os torcedores começaram a cantar versos sobre o Maior Time do Mundo. O Engenhão, conhecido como vazião, perderia esse apelido (pelo menos nesse dia) já que era a estreia de Ronaldinho Gaúcho. Todos os ingressos foram vendidos em homenagem ao ídolo R10. Gaúcho é um ídolo mundial do futebol. Quem não se lembra daquele Golaço de falta na copa de 2002 contra a Inglaterra no fim do jogo? Quem não se lembra daquele primeiro lance dele na seleção brasileira? Como não me esqueci dessas jogadas excelentes, fui ao jogo.
             Quando a estrela da noite entrou em campo, a torcida armou um mosaico que dizia “Bem Vindo R10”. Eu fazia parte do “ZERO”.
O jogo começou e cada vez que R10 encostava na bola a torcida aplaudia fervorosamente. Até aí, a torcida do Flamengo não me surpreendeu.
             Levantavam-se com uma chance de gol e depois, sem a alegria do gol, voltavam para sentar nos banquinhos azuis do Engenhão. Irritados com alguns lances, os torcedores mandavam mensagens carinhosas para as mães dos jogadores e, principalmente para a mãe do juiz.   ........................................................NOT!!
             O jogo chegava ao final e nada do Flamengo marcar um gol. As unhas dos torcedores roucos estavam espalhadas pelo estádio e todos esperavam o próximo lance de R10.
             Foi aí que descobri porque o Flamengo tem a maior torcida do mundo. Os torcedores começaram a pular e cantar sem parar para incentivar o time. Eu entrei nessa pilha já que sabia algumas músicas. A música não parou. O time correspondeu e veio o GOL. Um golpe de oportunismo de um atacante do Flamengo fez todo o estádio (inclusive eu) comemorar excessivamente. Eu e meus amigos nos abraçamos enquanto gritávamos coisas impossíveis de se entender. Nesse momento, olhei para o gramado e vi R10 ali, bem pertinho de nós, agradecendo a torcida pelo apoio e a Deus pela oportunidade de jogar no Maior Time do Mundo. O jogo acabou e todos comemoraram o resultado positivo. Após uma rápida entrevista, R10 reverenciou os quatro cantos do estádio agradecendo pelo fervoroso amor da torcida do Flamengo.
             Fomos embora com a certeza de que R10 joga muito e de que agora só valeria um jogo do Flamengo no Maracanã, um estádio de respeito.
             Depois desse dia, tive a certeza de que, pelo menos por algumas horas, torci pelo Mengão. Boa Sorte com R10!

Pedro Mobilio de Lima
05 de fevereiro de 2011

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AS REDES

             Em um fato temos que concordar: quem inventou o conceito ‘rede social’ é um gênio. 55 milhões de pessoas no mundo têm pelo menos uma conta em algumas das diversas redes sociais existentes. Os números são impressionantes. Por dia, 38% dos brasileiros utilizam essas redes. O brasileiro fica, em média, um dia de cada mês conectado a internet. Dos brasileiros internautas, 79% usam redes sociais. Em média, esses internautas passam mais tempo nessas redes que em festas.
             Poucos filmes conseguiram o que conseguem as redes sociais: entreter desde crianças a pessoas de meia idade. Com certeza é uma fortíssima tendência.
             TEMOS que ter uma conta em alguma rede, definitivamente. Mas, devemos parar um pouco e pensar: Aonde queremos chegar com isso? Qual é o sentido de rede social?
             A rede social vale como uma válvula de escape do mundo real. Lá, colocamos nossas melhores fotos, a fim de mostrar para o mundo como nossa a vida parece ser perfeita. Nas redes sociais, esquecemos nossos problemas. E, quando temos um, ele aparece como um bom evento. Indo para a realidade, vou dar um exemplo: Fui a um show e coloquei uma foto do palco, somente.
             Porém, para chegar até ali, tive problemas para comprar o ingresso e para chegar ao evento. Quem vê de fora, acredita que esse dia foi perfeito, mas não foi. Funciona como nossa vida: não tem como ser perfeita. Passamos por situações boas e ruins diariamente. Nem em um conto de fadas é possível encontrar a perfeição. Para um final feliz, a princesa passou por dificuldades. Branca de Neve foi envenenada, Rapunzel e Fiona ficaram presas numa torre e Cinderela fora maltratada.
             Fui pesquisar o conceito rede social e encontrei a seguinte frase: “Em teoria, na estrutura das redes sociais os atores sociais se caracterizam mais pelas suas relações do que pelos seus atributos (gênero, idade, classe social)”. Ou seja, você depende das suas relações. Temos uma vantagem com isso, ela não é segragadora como nossa sociedade. Mas, diferentes de nossas vidas, as redes são descartáveis. Repare na decadência do Orkut e na ascensão do Facebook. Quem se lembra do fotolog e afins?
            Não estou falando para ninguém cancelar todas suas contas em diversas redes sociais. Elas servem para reencontrar amigos do passado e se comunicar com pessoas no outro lado do mundo. O que não devemos fazer é construir uma vida em uma rede. Nas redes, perdemos nossa identidade. É hora de abrir a janela e olhar para a realidade, para nossos amigos e familiares. Vamos desconstruir nossa vida perfeita nas redes e aceitar nossos problemas, com garra para resolvê-los e progredir sempre. E se esses problemas forem engraçados, a gente escreve uma história pro blog.
Dados: RedesSociais.br

Pedro Mobilio de Lima
12 de fevereiro de 2011

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1
PASSADO E PRESENTE

Artux Xexéo publicou um texto chamado 'Obsoleto' cujo link é:
http://oglobo.globo.com/cultura/xexeo/posts/2011/02/13/obsoleto-362114.asp
Decidi fazer a resposta.

MODERNO.

Eu sou do tempo do computador pessoal, do celular, da Internet.
Eu sou do tempo do Iphone, do Smartphone, do Ipod, do Google, do You Tube.
Eu sou do tempo dos blogs, da compra pela Internet, das redes sociais, dos meus 400 logins e senhas diferentes
Eu sou do tempo da TV a cabo, do satélite, do DVD.
Eu sou do tempo das transações de banco on line, do jornal on time (e full time).
Eu sou do tempo do Playstation!
Eu sou do tempo dos jogos de vídeo game, do termo Última Geração, do atendimento 24 horas.
Eu sou do tempo da TV 3D, do cinema 3D, da alta definição.
Eu sou do tempo da Urna Eletrônica, da porta detector de metais, da arma nuclear.
Eu sou do tempo do teclado sem fio, da calculadora gráfica, dos cursos a distância.
Eu sou do tempo da Vodca com Energético, do Iogurte gelado, da comida japonesa.
Eu sou do tempo da bermuda Cargo, da gola em V, das academias cheias.
Eu sou do tempo de Justin Bieber famoso, do Rock colorido.
Eu sou do tempo da conectividade.
Eu sou do tempo do comércio do futebol.
Eu sou do tempo do cartão de crédito.
Eu sou do tempo do cinema caríssimo.
Eu sou do tempo do mundo Globalizado, da bolsa de valores.
Eu sou do tempo da pirataria, da violência, do BBB.
Eu sou do tempo das crianças preferindo armas de brinquedo ao invés de livros.
Eu sou do tempo da falta de diálogo nas famílias, da falta do almoço de domingo à mesa.
Eu sou do tempo do trânsito, da pressa, da máquina digital, do ar condicionado, do buraco da camada de Ozônio.
Eu sou do tempo do limite de caracteres e, com os que me restam, só posso escrever NOSTALGIA.

Pedro Mobilio de Lima
16 de fevereiro de 2011

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Vô e Vó

Tem dias que a gente pensa em desistir, apagar nossas lembranças, tentar recomeçar.
Temos esse pensamento algumas vezes em nossas vidas, mas dificilmente fazemos isso.
Queremos abandonar o barco, mas sabemos que tudo vai melhorar.
Daí que vem aquela que é a última a morrer, a esperança.
Além dela, podemos confiar em algo que todas as pessoas têm, mas às vezes não têm a oportunidade de conhecer.
Estou falando do Vô e da Vó.
Quem conhece os pais dos seus pais, sabe do que estou falando.
Vou começar falando da Vovó.
Vovó já foi mãe pelo menos uma vez, e vira mãe de novo quando “ganha” um neto.
O sorriso da Vovó conta como o de duas mães.
O abraço da Vovó é como um cobertor quente numa noite gelada.
A casa da Vovó é um refúgio, uma zona neutra dos perigosos caminhos da vida, um verdadeiro porto seguro (a casa é do Vovô também).
A Vovó faz os melhores doces e salgados.
Um conselho da Vovó vale mais que um bom livro.
Já o Vovô é rígido, chefe de família, trabalhador. Mas, felizmente, sua rigidez derrete com um sorriso de qualquer um dos seu netinhos.
Aí o Vovô se esbalda, volta a ser criança e conta histórias antigas des seus tempos de infância.
O Vovô sempre conhece todos os lugares e sempre vem com algum presente.
O Vovô entende de tudo e sempre faz as vontades pros seus netos.
O coração do Vovô é do tamanho do universo.
Vovô e Vovó são perfeitos, sempre têm um abraço, um beijo e um doce para dar.
Não escondem um sorriso nunca.
Esse casal representa o passado e o futuro, já que mostram o caminho para seus herdeiros.
Guarde sempre as melhores lembranças com seus avós, eles fazem (ou fizeram) tudo por você.
Quando você precisar, eles estarão prontos pra te dar seu amor incondicional.
E lembre-se disso quando você for avô ou avó.

Pedro Mobilio de Lima
20 de março de 2011

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O PALHAÇO

O show chega ao fim
A plateia pede bis
O dever está cumprido
É hora de retirar o nariz

O personagem se desfaz
Com seu lenço de papel
Amanhã terá mais
É hora de descer do céu

No circo, a tenda
Isola o palhaço do mal
No fim, ele retira a venda
É hora de encarar a vida real

A boca pintada
Fica seca
Com o frio da noite enluarada

A cintura, antes larga
Agora está apertada
Nos poucos coletivos
Que passam na madrugada

A flor de sua fantasia
Perde sua vida
No silêncio da maioria

Lar doce lar
O palhaço acaricia sua esposa
Distribui beijos em seus filhos
Aqueles que, mesmo com dificuldades,
Sabem como sorrir
É a hora de dormir
É a hora do palhaço sonhar...

Pedro Mobilio de Lima
29 de abril de 2011

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CARRINHOS

AOS SENHORES DO DENATRAN E DETRAN-RJ

             Desde pequeno, sempre gostei de carros, meus brinquedos sempre foram carrinhos. Gostava tanto que brincava de engarrafamento. Fui crescendo e meu gosto por automóveis só aumentou.
             Finalmente, após completar dezoito anos, pude começar o processo da primeira habilitação. Fiz aniversário no sábado e na segunda-feira já estava na auto-escola. Indicada por um amigo de infância, CFC 171 em Niterói. Fui, sabendo que estaria junto dele nesse momento tão importante na minha vida. Mal sabia eu, mas meu grande sonho, o de dirigir, seria uma GRANDE BATALHA, com enormes barreira como sistemas falhos, instrutores inoperantes e auto-escola de fachada mal fiscalizada. Como dirigir era meu grande sonho, achei que conseguiria tranquilamente conquistar a carteira de habilitação. Infelizmente, minha animação para dirigir foi se esgotando junto com minha paciência. Aí vão os fatos:
            Na primeira aula estranhei após ouvir que neste CFC “é você quem faz os horários”. Não entendi porque outros amigos meus que estavam tirando habilitação em outros CFC’s recebiam um programa de aulas antes mesmo do começo delas. Eu nada recebi, simplesmente realizei o pagamento, sem saber que dor de cabeça eu arranjaria para mim.
            Comecei fazendo de três a cinco aulas por dia, já que estava livre para fazê-las, estava de férias. Já próximo do início das aulas da faculdade, decidi fazer 11 (onze) horas aulas no dia 27/07/2009 – LEGISLAÇÃO DE TRÂNSITO e 11 (onze) horas no dia 28/07/2009 – DIREÇÃO DEFENSIVA. Antes questionei se isso era possível para o responsável do CFC, o mesmo me dissera que era permitido. Então, fiquei das 07:00h às 19:00h no CFC tirando digitais nos dois dias, para encerrar as aulas teóricas.
            Passei o resto da semana esperando o sistema ultratecnológico aceitar as minhas 22 (vinte e duas) horas aulas dos referidos dias. Como o sistema não aceitou as referidas aulas, fui indicado pelo responsável do CFC, que imprimiu um documento com carimbo e assinatura do CFC (tenho ele guardado), a ir a sede do DETRAN-RJ, na Av. Pres. Vargas. Depois de quatro horas fui atendido pelo Senhor xxxxx (2º andar habilitação), informou que não poderia fazer nada. Que era responsabilidade do CFC e da tal da ABNOTE (A biometria digital é um sistema denominado "CFC DIGITAL", desenvolvido pela ABNote, com os mais elevados padrões de qualidade e tecnologia biométrica disponíveis atualmente).
            Mesmo em fúria com o DETRAN-RJ, CFC, ABNOTE e etc, sem poder de “voto”, não tive outra alternativa a não ser refazer as 22 (vinte e duas) horas aulas. Paralelo a isso fiquei passando email para ouvidora do DETRAN-RJ e ligando insistentemente para 080002860286 sem obter nenhuma resposta aceitável. Depois de ligar para tantos, vi uma luz no final do túnel quando liguei para o Sr xxxxxx 3479-9140 suporte ABNOTE, que ficou de mandar um técnico ao CFC no dia 18/08/2009, que não resolveu.
            Informo ainda que nas minhas primeira 45 (quarenta e cinco) horas aulas não tive instrução nenhuma, simplesmente assistia vídeos de instrução por minha própria vontade, eu que colocava o DVD para assistir, enquanto o instrutor se “aventurava” nos sistemas do DETRAN-RJ, fora da sala de aula. Estudei por conta própria e fiz simulados em casa pela internet. Para computar as 45 (quarenta e cinco) horas aulas, no meu controle de do CFC foram 70 (setenta) aulas teóricas que tive que fazer, quer dizer, tirar as digitais.
            Sei que na direção de alguns CFC’s existem pessoas sérias, no entanto, eu e meus colegas daqui a pouco estamos nas ruas atrás de um volante e mal instruídos. Será por isso quem no Brasil, o Trânsito mata mais do que uma guerra?
            Enquanto escrevo esse texto no CFC, dia 17/08/2009 às 18:00h, eu e meus colegas (futuros motoristas) assistimos TV GLOBO e os “instrutores” se encontram fora de sala e a maioria dos alunos tirava a digital e saia do CFC e voltava uma hora depois para tirar novamente a digital. Que adiantou aumentar a carga horária teórica, deveria sim o DENATRAN aumentar a carga horária prática. Conforme prescreve a Portaria PRES-DETRAQN-R Nº3501/07/06/2005, sugiro que façam uma visita de surpresa ao CFC, pelo que pesquisei devem visitar todos os CFC’s.
            Neste momento tenho carteira de habilitação e estou livre para dirigir. Fiquem tranquilos! Tive aulas extras com o meu pai. Mas e os outros?

Rio de Janeiro, 12 de janeiro de 2010.
Desde já agradeço a atenção.
PEDRO MOBILIO DE LIMA

ATENÇÃO

            Esta carta, para minha segurança, não foi e nem será envida ao Detran-RJ.
            Mas hoje, sábado 22/10/211, quase dois anos depois, saiu nos jornais que a auto-escola 171 e outras foram fechadas por fraudes.
            Senti na obrigação de tê-la em meu blog para não esquecer, que sempre haverá justiça. Ver abaixo reportagens:

         Rio - Os motoristas que tiraram carteiras de habilitação pelo esquema de fraudes correm o risco de ficarem sem o documento e serem processados por falsidade ideológica e corrupção passiva. O Detran está iniciando processo de análise de documentos para identificar as cerca de 4.800 carteiras emitidas com a ajuda dos integrantes da quadrilha nos últimos dois anos. A polícia também procura os motoristas. “Se obtiveram a carteira de forma ilícita, eles não podem estar habilitados, por isso todas (as carteiras) serão cassadas por meio de um processo administrativo. O mesmo acontecerá com aqueles pedidos que ainda estão em andamento”, ressaltou ontem o corregedor do Detran-RJ, David Anthony.

            Relação das auto-escolas fechadas pelo Detran:
            - Quadrilha no Detran.
            - Detran vai caçar quem comprou habilitação.
            - Polícia prende suspeito de fraude no Detran-RJ.
            - Quadrilha é acusada de obtenção irregular de CNH.
            - Detran inicia caçada a 4.800 que compraram a habilitação.
            - Imagens mostram ação de quadrilha suspeita de fraude no Detran.
            - Polícia deflagra operação contra fraudes no Detran do Rio de Janeiro.
            - Grupo preso usava molde de silicone para fraudar digitais no Detran-RJ.
            - Prejuízos com golpes de quadrilha que fraudava documentos no Detran.

Pedro Mobilio de Lima
22 de outubro de 2011

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1
DESPEDIDA

Para Natalia, Nathália e Jackeline
Sentem-se para ler.
Caríssimas Colegas, hoje cedo me deparei com uma tabela que continha o nome de vocês três, juntinhos como vocês sempre foram. Não era uma tabela de notas nem de uma lista de aniversário de boate. Era A lista. Aquela lista era fruto de uma longa jornada de muita dedicação e trabalho. Fiquei muito feliz de ler os três “nominhos” naquela relação. Reafirmo que era A lista. Vale mais que um passaporte. É um passaporte. Desde já quero dizer que sentirei falta de passar por vocês no corredor e ver a Nathália correndo sempre com pressa para algo com seus óculos caindo, a Natalia com alguma preocupação na cabeça ou a Jackeline calma como uma onda de lago. Independente do dia ou da ocasião, vocês nunca me negaram um sorriso que aflora o meu dia e é disso que sentirei mais falta. Um sorriso sincero e uma amizade verdadeira valem mais do que qualquer coisa. Não se esqueçam disso nunca. Mas não vamos começar as despedidas. Ainda temos muito tempo pra isso. Tomara que sim. Como já disse, fiquei muito feliz em saber que vocês três foram selecionadas. A França pode ser até mais rica e mais chique, mas dificilmente é tão animada quanto nossa farra em “La ville de Itaipuaçu”.
Pois é, são mais três que partem para território europeu. Já não basta dois terem ido no meio do ano e agora mais três. A cota de saudade tá enchendo já. BASTA! Brincadeirinha...
Eu desejo muitas alegrias e que vocês aproveitem cada pentelhésimo de segundo dessa oportunidade. Façam tudo que estiverem com vontade de fazer (com um pouquinho de limites ok?). Vivam intensamente e continuem sendo tão carismáticas como são hoje. Vocês já conquistaram o fundão. Agora, conquistem o MUNDO. Vocês podem tudo. Eu queria poder ter feito todas as matérias junto com vocês, mas... É a engenharia. Usem sempre tudo que vocês aprenderam para o bem. Não deixem de encontrar o Matheus, certamente ele já sabe todas as mutretas francesas. E qualquer coisa (qualquer mesmo), vocês podem contar comigo. Eu gosto muito muito muito das três!!!! Ahhhh meu nome no Skype é mobilio.pedro. Já vão adicionando.
Vou terminar com um trecho de um texto que li esses dias e acho que cabe aqui. É de um cronista chamado Artur da Távola. Esse conto se chama “Ser Jovem”. Aí vai:
“Ser jovem é acreditar um pouco na imortalidade da vida, é querer a festa, o jogo, a brincadeira, a lua, o impossível, o distante. Ser jovem é ser bêbado de infinitos que terminam logo ali...”
Beijos Enormes.
Do grande amigo de sempre Pedro Mobilio.

Pedro Mobilio de Lima
30 de novembro de 2011

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CARÍSSIMO ROBERTO CARLOS

             “As rosas não falam”. Cartola eterniza o poder que uma rosa tem em alguns versos de sua canção. Uma rosa que flora é motivo de alegria plena. E quando um cantor, conhecido como Rei, termina o show distribuindo um ramalhete de flores para suas fãs de longa data, ele faz com que elas sejam especiais, as rosas e suas fãs. Posso garantir que as rosas são suas Princesas e suas fãs, suas Rainhas. E essa não é uma história de Calhambeque, de um amor perdido ou de recomeço, é a história de uma entre suas milhares de Rainhas.
             O ano era 1957. Regina, estudante dedicada, levantava cedo para seu curso de formação de professoras no Instituto de Educação. Depois de uma manhã inteira de estudos, ia pra casa rapidamente para almoçar, mas não era só por esse motivo. Ao descer do Bonde na Rua Dona Romana, ela passava pela farmácia do seu Avelino, onde via Roberto Carlos, conhecido na época apenas pelos programas de calouros, ao telefone público. Ela já conhecia bem as músicas dele e sempre que o via seu dia era renovado. Além disso, ela se perguntava com quem ele falava tanto ao telefone. Morava na Rua Porto Alegre, paralela a Rua Pelotas, onde sabia que seu ídolo morava. Depois se indagava se aquele portão da Rua Pelotas era o famoso portão, citado nos seus versos. Regina não poderia fazer um passeio de bicicleta sem passar por aquele portão característico no início da Rua Pelotas. Dizia pras suas amigas que o Lins de Vasconcelos era o melhor bairro do Rio, porque Roberto Carlos morava lá.
             O tempo passou, veio o casamento, vieram os filhos, os netos, mas o apreço pelo ídolo sempre continuou. Não tinha um disco que ela não comprava, um filme que ela não via, uma música que ela não ouvisse e um show que ela não ia. Ela é uma SUPER FÃ e certamente se encaixa no seu grupo de Rainhas.
             Caro Roberto, essa é a história da minha avó. É a história que eu cresci ouvindo, assim como ouvi suas músicas. Já fiz inúmeras viagens com ela de carro e não deixávamos de ouvir um CD seu no caminho. As paisagens do lado de fora eram tão belas como suas letras. “Lady Laura” e ”O portão” são duas músicas que me comoveram profundamente. O amor que você retrata nessas músicas é muito intenso, e é por isso que essas duas músicas me emocionam. É por isso que você é um dos Reis de nosso país. Tudo que você faz é maravilhoso, e minha avó já comprou.
             E como são as coincidências da vida, eu moro no condomínio do antigo Colégio Brasil, em Niterói, e sei que você estudou aqui por algum tempo (minha avó que me disse isso).
             Você (peço desculpas por chamá-lo assim) é um irmão camarada das histórias de nossa família, e minha avó sempre espera ansiosa pelo seu show de fim de ano e já foi até a São Paulo no show do colégio Pueri Domus, onde minha prima estuda. Suas letras são parte de nossas vidas, é muito difícil eu chegar à casa da vovó e um CD seu não estar tocando no rádio dela.
             Na próxima semana, ela vai realizar um grande sonho. Vai com sua filha e sua neta, minha mãe Simone e minha prima Luisa no Cruzeiro ‘Emoções em Alto Mar’, só pra ver mais um show de seu ídolo, agora, com três gerações fãs suas. Eu sou irmão de uma menina deficiente, e é a primeira vez que Mariana dormirá sem sua mãe, em quinze anos de vida. Dessa maneira é possível perceber o carinho que nossa família tem por você, Roberto Carlos. Eu queria pedir que você, como Rei, desse uma simples alegria a minha avó, uma de suas Rainhas mais dedicadas. Qualquer lembrança de sua parte retribuirá todo o carinho que ela tem por você. Pode ser até uma Rosa, já que elas não falam, mas representam muito para todos nós. Saiba um pouco da história da minha irmã Mariana em: www.westmariana.com
             Um Grandíssimo Abraço Carinhoso.

Pedro Mobilio de Lima
29 de janeiro de 2012

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Escolhas ou Oportunidades

A vida não é feita de escolhas, é feita de oportunidades. Mas logo voltarei a essa frase.

             Meu nome é Pedro Mobilio de Lima, tenho 20 anos e estudo Engenharia Mecânica na Universidade Federal do Rio de Janeiro. Não sou um aluno espetacular, mas faço o possível para conseguir bons resultados profissionais.
             Meu sonho, sinceramente, era ser piloto de Fórmula 1. Sou um fã incondicional de Ayrton Senna. Não consegui, até agora segui-lo, pelo fato de não fazer parte de uma família com extraordinárias condições financeiras. Foi esse interesse que me levou à Engenharia Mecânica. Não reclamo da minha família, certamente é a melhor que existe e me apóia em tudo o que faço. Graças a ela consegui estudar em um colégio de referência no Rio de Janeiro. Foi uma oportunidade que minha família me deu, eu ainda era muito novo para fazer uma escolha. Nesse colégio, o francês era língua obrigatória a partir da 5ª série. Desde então, vi diversas imagens da França, aliadas ao estudo de sua língua, que eu acho interessantíssima, bela e tradicional. Infelizmente, não somos diariamente abordados por ela. Todo o esforço de minha família valera à pena. Eu adoro a língua francesa e acredito que sou uma pessoa correta em minhas atitudes.
             Sem dúvida também sou um apaixonado pelo Brasil. Os dias em que eu me sinto mais animado para a faculdade são os dias em que estampo no peito a bandeira do meu país, que representa minha nacionalidade. Por causa do passado, temos problemas sérios de infra-estrutura no que ambienta a sociedade menos favorecida. Em contrapartida, faço parte de um povo altamente carismático, amoroso e riquíssimo em companheirismo.
             Quando vi o email do intercâmbio, não pensei como uma escolha minha, pensei nele como uma oportunidade. Uma experiência profissional fora do país aumenta a capacidade de comunicação e de adaptação de qualquer um. Foi nesse ponto que mais me interessei. Eu estou fazendo parte de um projeto do Grupo de Contadores de Histórias para crianças com doenças graves no hospital do Fundão. Essa experiência facilita a minha formação mais humanizada e me apta a atuar em diferentes tipos de situações. Além disso, estou desde 2011 em um projeto de iniciação científica que me permitiu estudar mais profundamente alguns casos vistos em sala de aula e fez com que eu pudesse aprender alguns softwares muito usados na área de engenharia. Faz parte da minha ideia de formação um currículo mais amplo, com matérias eletivas sobre assuntos divergentes, a fim de me tornar um engenheiro preparado para as adversidades que encontrarei um dia, e certamente elas virão.
             Eu espero que uma oportunidade como essa possa fazer com que eu aprenda artifícios para aperfeiçoar meu país, e resolver parte de seus problemas. Eu não quero, e nem tenho poder suficiente para mudar o mundo. Mas, se eu puder torná-lo melhor para seus habitantes, sentirei como se minha missão tivesse sido cumprida. Eu acredito que estudar fora do país permitiria que a minha tentativa de mudar o meu país fosse acelerada.
             Até breve.

Pedro Mobilio de Lima
15 de março de 2012

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