![]() DADOS SOBRE MARIANA
Foi submetida a TC de crânio que revelou leve aumento do terceiro ventrículo e ventrículos laterais, bem como acentuação e espessamento de giros corticais. A menor apresentou quadro de difícil controle com anticonvulsivantes (remédios usados para o controle de convulsões - que por apresentarem efeitos colaterais somente um neurologista ou neuropediatra estão aptos a prescrevê-los), retardo mental e padrão de Hipsarritmia no eletroencefalograma -EEG, a mesma sendo acompanhada por equipe multidisciplinar desde a fase de investigação extensiva com estudo imunológico, pesquisa de erros inatos do metabolismo, tomografia computadorizada de crânio e RNMG de crânio sem identificação etiológica, apresentando também um quadro com broncoaspiração conseqüente de crises de difícil controle. Outros exames:
ATUALIZADO EM 2012
1) Quantas pessoas fazem parte da família de Mariana, e quais
as idades delas?
Com 3 meses de vida. Numa consulta pediátrica, a médica constatou que ela fazia ESPASMOS (movimentos que pareciam "sustos"). Esses movimentos eram contínuos.
3) Existiu alguma irregularidade durante a gestação ? Durante os nove meses de gestação não houve qualquer relato que comprovasse a causa do problema da Mariana.
4) O parto foi normal ou cesária ?
5) Quais são os tratamentos a que a Mariana é ou foi submetida, e a periodicidade dos tratamentos? Assim que ela foi
encaminhada ao neuropediatra, fizemos inúmeros exames: eletro-encefalograma, tomografia, exames de toxoplasmose, rubéola, citomegalovirus e erros inatos do metabolismo. Ao saber o resultado do eletro, foi necessário entrar com a medicação do ACTH (injeções diárias) e também os medicamentos Sabril e
Depakene (comprimidos). Sabril, Depakene, Rivotril e Nitrazepol. A Mariana já tomou o Rivotril e o Depakene por algum tempo.
7)
Observou alguma melhora frente aos tratamentos envolvidos ? Infelizmente o ACTH não
teve 100% de sucesso, mas as crises diminuíram bastante. As demais medicações
conseguem controlar as convulsões que praticamente cessaram. Os espasmos, esses
ainda são notados no comportamento diário da Mariana, porém, ele está sempre
ligado com a parte emocional dela. É uma maneira que ela "encontrou" de reclamar
quando algo a incomoda. Mariana Mobílio de Lima, 6
anos , em 03/07/2002, portadora de Síndrome de West, encontra-se em atendimento
multidisciplinar diário no TOCAR - Centro de Atividades Reabilitadoras - desde
1999, em Fisioterapia, Terapia Ocupacional, Fonoaudiologia e Psicomotricidade.
Estas características
trazem em si a possibilidade de um alheamento ambiental e de uma perda
motivacional que vão se somar às dificuldades motoras e cognitivas da criança,
inviabilizando o seu desenvolvimento global. Em uma espiral de isolamento de
difícil controle, acreditamos que o curso da doença leve a uma acomodação ao
padrão de crises convulsivas, em que o choro e os espasmos convulsivos passam a
ser também utilizados como uma forma de auto reconhecimento por parte da
criança. Cria-se assim um ciclo de dificílima intervenção.
EVOLUÇÃO EM TERAPIA OCUPACIONAL E PSICOMOTRICIDADE
Mariana apresenta ganhos
importantes com relação à atenção e capacidade de tolerar mudanças ambientais,
com melhor acompanhamento visual e reconhecimento de fonte sonora. Apresenta maiores períodos
de estado de alerta e capacidade de mudança, bem como uma redução de
intolerância ambiental. 5. Promover posicionamento de organização corporal que
facilitem a auto-segurança Para que o trabalho possa
se desenvolver, é fundamental uma estreita parceria com a família. Isto se
desenvolve em dois aspectos: De um lado desenvolvemos todo um trabalho dentro
dos parâmetros clássicos da Terapia Ocupacional:
De outro lado, queremos poder auxiliar a família a compreender a linguagem de Mariana, instrumentalizando-os como referências para a introdução de limites e segurança interna da criança, bem como para a introdução de elementos novos no cotidiano de vida da Mariana, de forma a ampliar o leque de recursos comportamentais da criança, seu estado motivacional e sua capacidade de responder aos estímulos ambientais. EVOLUÇÃO EM FONOAUDIOLOGIA
Mariana melhorou em relação
à hipersensibilidade peri e intra oral, e em relação à coordenação
sucção-deglutição-repiração, diminuindo, assim, os engasgos. Já está
apresentando mais atividade mastigatória e sua alimentação passou a ser
semi-sólida e dada na colher. EVOLUÇÃO EM FISIOTERAPIA
Mariana apresentou evolução
em alguns aspectos como um leve aumento no tônus, embora o mesmo ainda se
mantenha muito aquem do desejado. Essa melhora discreta possibilitou um melhor
alinhamento de tronco e episódio mais longo de controle cervical na postura
sentada. A fisioterapia objetiva ainda incrementa esses controles, o que vai
influenciar também no ganho de sua capacidade respiratória. O trabalho também
visa a prevenção de deformidades de tronco, coluna vertebral, quadril, o que,
sem esse trabalho, seria de fácil instalação devido ao grave comprometimento do
seu tônus de base; E também requer intervenções nas deformidades já instaladas,
como, por exemplo, a dos pés, que mereceu atenção e manipulação constante,
evitando maior agravamento. Terapeuta Ocupacional Psicomotricista CREFITO 2 4063 - TO VIRGINIA TORRES VASQUEZ Fonoaudióloga Psicomotricista CRFª 6620 - RJ MARCIA HELENA DE CASTRO Fisioterapeuta Motora Respiratória CREFITO 24176 - F 9) Os médicos costumam ser claros sobre a evolução da síndrome,
ou já deram um diagnóstico não convincente ? O Neuropediatra, no início
do tratamento, nunca nos falou como a Mariana iria evoluir. Dizia apenas que
cada criança é um caso, e que nunca havia pego uma criança com respostas
insatisfatórias, principalmente com o uso do ACTH.
10) A Mariana possui maior sensibilidade frente a outras
doenças? Isto está relacionado á sindrome ? Geralmente, as gripes são
mais frequentes e, se não forem logo cuidadas, viram pneumonia, devido á
utilização de alguns remédios anticonvulsivos, que aumentam a secreção, á
posição que ela fica, que é mais deitada, e a dificuldade de mobilizar a
secreção. Esses problemas clínicos não estão diretamente ligados à síndrome,
porém algumas crianças são mais sensíveis que as outras.
11) No caso da Mariana, quais são os sintomas ou sequelas que a
síndrome apresentou ? A Mariana hoje se compara a
um bebê de 4 meses. Ela não senta, não anda, não fala. Consegue sustentar o
tronco desde que esteja amparada. Sabemos que ela escuta muito bem e enxerga,
talvez não com precisão, mas ela percebe quando entramos no quarto sem fazer
barulho, e costuma olhar também para o lado em que estamos quando chamamos o seu
nome. Conversamos com ela normalmente o que se passa no dia a dia e ela, da sua
maneira, entende.
Sempre sonhei em ter uma
filha e, ao saber que ela tinha um problema, nos faltou chão. Nunca tínhamos
ouvido falar da síndrome de West e não sabíamos o que aconteceria no futuro. Ela
era e é uma bonequinha de olhos azuis e pele como uma seda. Não podíamos
acreditar que algo estava errado com ela.
A fé nesta hora foi o melhor remédio para todos os sintomas. Deus dá a carga, mas também dá a força. Tivemos algumas dificuldades quando a Mariana passava mal, mas jamais perdemos as esperanças. Aprendemos a viver uma vida bem perto do normal. O que adiantaria passar o resto da vida trancados num quarto, esquecendo e deixando passar os momentos importantes da vida?. Amo a Mariana de todo o coração, e hoje não saberia ficar sem ela. Ela não fala, mas consegue com o seu olhar nos tocar na alma. O andar não se tornou essencial. Quantas pessoas sabem andar e não conseguem ir a parte alguma. Só o fato da Mariana estar no meio de nós já nos completa e nos faz muito felizes. (Ler bem vindo a Holanda, no link PENSAMENTOS). Há, também, dentro de nós uma grande esperança: a medicina. Quem sabe um dia, que não deve estar muito distante, a ciência possa descobrir um meio de fazer com que Mariana recupere muito do que perdeu? Quem sabe um dia ela retribua o nosso carinho com um sorriso, uma palavra pequena que seja - "mamãe" - "papai" - "vovô" - "vovó" - ou uns trópegos passinhos ? Quando este dia chegar, embora nossa filha não realize todas as tarefas que observamos nas crianças de sua idade, levantaremos as mãos para os céus e poderemos dizer: nossa luta, nosso empenho, não foi em vão. Costumo dizer que não tenho problemas, pois conseguimos um equilíbrio emocional muito grande. Isso nos afasta de outras doenças. Temos saúde para conseguir tratá-la, temos condições financeiras para oferecer-lhe o que precisa e temos principalmente muito amor e Deus no coração.
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