
DADOS SOBRE MARIANA
Nascida em 3 de
julho de 1996, aos 3 meses passou a apresentar espasmos infantis, sendo aplicado
inicialmente o ACTH (hormônio adrenocorticotrófico - remédio de difícil
aquisição na América Latina) por aproximadamente 40 dias sem resposta
terapêutica.
A criança apresentou como efeito colateral: forte cefaléia, os
membros apresentaram-se inchados e houve o crescimento de pelos pubianos.
Foi submetida a TC de crânio que revelou leve aumento do terceiro ventrículo e ventrículos laterais, bem como acentuação e espessamento de giros corticais. A menor apresentou quadro de difícil controle com anticonvulsivantes (remédios usados para o controle de convulsões - que por apresentarem efeitos colaterais somente um neurologista ou neuropediatra estão aptos a prescrevê-los), retardo mental e padrão de Hipsarritmia no eletroencefalograma -EEG, a mesma sendo acompanhada por equipe multidisciplinar desde a fase de investigação extensiva com estudo imunológico, pesquisa de erros inatos do metabolismo, tomografia computadorizada de crânio e RNMG de crânio sem identificação etiológica, apresentando também um quadro com broncoaspiração conseqüente de crises de difícil controle.
Outros exames:
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| PRODUTOS UTILIZADOS DIARIAMENTE PELA MARIANA. |

ATUALIZADO EM 2010
1) Quantas pessoas fazem parte da família de Mariana, e quais
as idades delas?
Silvio
(pai - 49 anos)
Simone
(mãe - 41 anos)
Pedro
(irmão - 19 anos)
Mariana
(maroca - 14 anos)
2) Quando se constatou a síndrome ?
Com 3 meses de vida. Numa consulta pediátrica, a médica constatou que ela fazia ESPASMOS (movimentos que pareciam "sustos"). Esses movimentos eram contínuos.
3) Existiu alguma irregularidade durante a gestação ?
Durante os nove meses de gestação não houve qualquer relato que comprovasse a causa do problema da Mariana.
4) O parto foi normal ou cesária ?
Cesariana.
5) Quais são os tratamentos a que a Mariana é ou foi submetida, e a periodicidade dos tratamentos?
Assim que ela foi
encaminhada ao neuropediatra, fizemos inúmeros exames: eletro-encefalograma, tomografia, exames de toxoplasmose, rubéola, citomegalovirus e erros inatos do metabolismo. Ao saber o resultado do eletro, foi necessário entrar com a medicação do ACTH (injeções diárias) e também os medicamentos Sabril e
Depakene (comprimidos).
Durante mais ou menos 40 dias ela tomou o ACTH, que causa alguns efeitos colaterais, como: pressão alta (chegou a 18/13) e dores por todo corpo , devido ao inchaço. Após esse tratamento com o ACTH, ela somente faz uso dos anti-convulsivos: Sabril e Nitrazepol.
6) Quais os remédios utilizados para o tratamento ?
Sabril, Depakene, Rivotril e Nitrazepol. A Mariana já tomou o Rivotril e o Depakene por algum tempo.
7)
Observou alguma melhora frente aos tratamentos envolvidos ?
Infelizmente o ACTH não
teve 100% de sucesso, mas as crises diminuíram bastante. As demais medicações
conseguem controlar as convulsões que praticamente cessaram. Os espasmos, esses
ainda são notados no comportamento diário da Mariana, porém, ele está sempre
ligado com a parte emocional dela. É uma maneira que ela "encontrou" de reclamar
quando algo a incomoda.
8) Qual o relato da fisioterapeuta que trata da
Mariana ?
Mariana Mobílio de Lima, 6
anos , em 03/07/2002, portadora de Síndrome de West, encontra-se em atendimento
multidisciplinar diário no TOCAR - Centro de Atividades Reabilitadoras - desde
1999, em Fisioterapia, Terapia Ocupacional, Fonoaudiologia e Psicomotricidade.
O Tocar é um centro de atividades de
reabilitação que tem como objetivo contribuir com seus conhecimentos específicos
para potencializar ao máximo as capacidades individuais do portador de
deficiência.
O diagnóstico inicial de
Síndrome de West de Mariana, aliado à dificuldade de controle das crises
convulsivas e de estabilização do quadro, faz de Mariana um desafio para nós,
enquanto equipe de reabilitação.
Senão,
vejamos:
A Síndrome de West pode ser
caracterizada pelos seus vários aspectos: pelo tipo característico de convulsão,
pelo padrão tônico-postural, por seus aspectos fisiológicos globais, etc...
O Tocar, entendendo que é primordial
compreender como a criança se apropria da sua patologia para, através dela,
relacionar-se com o mundo, quer caracterizar a Síndrome de West principalmente
por seus aspectos comportamentais e relacionais.
Neste sentido, é notória a tendência dos
portadores da síndrome a algumas características:
..
Choro constante ou sono permanente
..
Hipersensibilidade ao toque
..
Intolerância a estímulos ambientais
..
Hipersensibilidade a trocas posturais
Estas características
trazem em si a possibilidade de um alheamento ambiental e de uma perda
motivacional que vão se somar às dificuldades motoras e cognitivas da criança,
inviabilizando o seu desenvolvimento global. Em uma espiral de isolamento de
difícil controle, acreditamos que o curso da doença leve a uma acomodação ao
padrão de crises convulsivas, em que o choro e os espasmos convulsivos passam a
ser também utilizados como uma forma de auto reconhecimento por parte da
criança. Cria-se assim um ciclo de dificílima intervenção.
A nossa proposta, portanto, vem sendo
oferecer à Mariana outras formas de relacionar-se com a doença e outras formas
de auto-reconhecimento.
EVOLUÇÃO EM TERAPIA OCUPACIONAL E PSICOMOTRICIDADE
Mariana apresenta ganhos
importantes com relação à atenção e capacidade de tolerar mudanças ambientais,
com melhor acompanhamento visual e reconhecimento de fonte sonora.
Apresenta maiores períodos
de estado de alerta e capacidade de mudança, bem como uma redução de
intolerância ambiental.
São objetivos
imediatos da TERAPIA OCUPACIONAL e PSICOMOTRICIDADE no período:
1.
Reduzir a intolerância ambiental
2.
Reduzir a hipersensibilidade ao toque
3.
Promover maior tolerância às mudanças ambientais
4.
Promover estimulação proprioceptiva para facilitar a percepção corporal sem a
necessidade de hipermobilidade
5. Promover posicionamento de organização corporal que
facilitem a auto-segurança
Para que o trabalho possa
se desenvolver, é fundamental uma estreita parceria com a família. Isto se
desenvolve em dois aspectos: De um lado desenvolvemos todo um trabalho dentro
dos parâmetros clássicos da Terapia Ocupacional:
..
Orientação quanto a posicionamento
..
Orientação de transporte
..
Orientação de estimulação visual e auditiva
..
Ontrodução de posicionadores, carrinhos, etc...
..
Introdução de calhas e órteses
De outro lado, queremos poder auxiliar a família a compreender a linguagem de Mariana, instrumentalizando-os como referências para a introdução de limites e segurança interna da criança, bem como para a introdução de elementos novos no cotidiano de vida da Mariana, de forma a ampliar o leque de recursos comportamentais da criança, seu estado motivacional e sua capacidade de responder aos estímulos ambientais.
EVOLUÇÃO EM FONOAUDIOLOGIA
Mariana melhorou em relação
à hipersensibilidade peri e intra oral, e em relação à coordenação
sucção-deglutição-repiração, diminuindo, assim, os engasgos. Já está
apresentando mais atividade mastigatória e sua alimentação passou a ser
semi-sólida e dada na colher.
Com isto,
evitamos a colocação de gastrostomia para alimentação.
São objetivos imediatos da
FONOAUDIOLOGIA:
1. Aumento do ritmo da mastigação, diminuindo o tempo da
alimenta evitando maior gasto energético para ganhar peso e não perder.
2.
Estabelecimento de formas de comunica o a partir dos aspectos comportamentais e
relacionais de Mariana.
3. Orientação à família quanto ao melhor
posicionamento para a alimentação, de acordo com os ganhos motores de Mariana.
EVOLUÇÃO EM FISIOTERAPIA
Mariana apresentou evolução
em alguns aspectos como um leve aumento no tônus, embora o mesmo ainda se
mantenha muito aquem do desejado. Essa melhora discreta possibilitou um melhor
alinhamento de tronco e episódio mais longo de controle cervical na postura
sentada. A fisioterapia objetiva ainda incrementa esses controles, o que vai
influenciar também no ganho de sua capacidade respiratória. O trabalho também
visa a prevenção de deformidades de tronco, coluna vertebral, quadril, o que,
sem esse trabalho, seria de fácil instalação devido ao grave comprometimento do
seu tônus de base; E também requer intervenções nas deformidades já instaladas,
como, por exemplo, a dos pés, que mereceu atenção e manipulação constante,
evitando maior agravamento.
Quanto à
fisioterapia respiratória, observamos também uma diminuição dos períodos de
lupersecretividade e infecções respiratórias. Seu quadro pulmonar merece total
atenção devido a grandes desvantagens de musculatura tóraco-abdominal requerendo
constante uso de musculatura acessória da musculação. Apresenta padrão
respiratório misto e grande facilidade a broncoaspirações.
Constatamos que com a melhora na
ventilação pulmonar, Mariana pode experimentar ganhos motores.
TOCAR, em 06 de junho de 2002.
9) Os médicos costumam ser claros sobre a evolução da síndrome,
ou já deram um diagnóstico não convincente ?
O Neuropediatra, no início
do tratamento, nunca nos falou como a Mariana iria evoluir. Dizia apenas que
cada criança é um caso, e que nunca havia pego uma criança com respostas
insatisfatórias, principalmente com o uso do ACTH.
Quando ela estava com quase 3 anos, eram
constantes os problemas clínicos, como: pneumonia, amigdalite, otite. Por isso o
uso de antibiótico era freqüente. Devido também ao uso de Depakene, ela teve uma
gastrite muito forte. Nesse momento ele nos informou que, devido a esses
problemas clínicos, pois a parte neurológica estava controlada, ela um dia
poderia não suportar.
10) A Mariana possui maior sensibilidade frente a outras
doenças? Isto está relacionado á sindrome ?
Geralmente, as gripes são
mais frequentes e, se não forem logo cuidadas, viram pneumonia, devido á
utilização de alguns remédios anticonvulsivos, que aumentam a secreção, á
posição que ela fica, que é mais deitada, e a dificuldade de mobilizar a
secreção. Esses problemas clínicos não estão diretamente ligados à síndrome,
porém algumas crianças são mais sensíveis que as outras.
Há um ano começamos a tratar a Mariana
também com a homeopatia e, de lá pra cá, os seus ganhos foram muitos importantes
para a sua melhora. A partir do momento que os problemas clínicos foram
resolvidos, sem a necessidade de estar sempre no hospital, ter que aspirá-la,
febre, etc., o problema neurológico ficou controlado.
11) No caso da Mariana, quais são os sintomas ou sequelas que a
síndrome apresentou ?
A Mariana hoje se compara a
um bebê de 4 meses. Ela não senta, não anda, não fala. Consegue sustentar o
tronco desde que esteja amparada. Sabemos que ela escuta muito bem e enxerga,
talvez não com precisão, mas ela percebe quando entramos no quarto sem fazer
barulho, e costuma olhar também para o lado em que estamos quando chamamos o seu
nome. Conversamos com ela normalmente o que se passa no dia a dia e ela, da sua
maneira, entende.
12) Ela tomou todas as vacinas infantis obrigatórias ?
Apesar de atrasadas, todas as
vacinas infantis foram dadas. Somente na tríplice , de acordo com orientação
médica, foi tirado o componente da coqueluche (pode causar febre alta e daí a
convulsão).
13) A alimentação da mariana é normal ou existem algum
acompanhamento especial ?
A Mariana
pode comer de tudo, desde que seja batida no liquidificador ou bem amassado.
Ela possui dificuldade de engolir e mastigar. Ela consegue sugar bem sem engasgar,
mas temos muito cuidado nas horas de alimentação, colocando-a bem sentada.
Observação: No início de 2004 Mariana depois de vários episódios de pneumonia,
chegou a nove quilos, havendo necessidade de fazer a gastrostomia, que foi
realizada em outubro do mesmo ano. Cirurgia esta realizada com todo sucesso no Hospital Central da Aeronáutica.
Mariana passou para dezessete quilos.
14) Qual o relato da mãe de Mariana com relação à luta contra a sindrome
e as maiores dificuldades ?
Sempre sonhei em ter uma
filha e, ao saber que ela tinha um problema, nos faltou chão. Nunca tínhamos
ouvido falar da síndrome de West e não sabíamos o que aconteceria no futuro. Ela
era e é uma bonequinha de olhos azuis e pele como uma seda. Não podíamos
acreditar que algo estava errado com ela.
Foi muito difícil entender porque tudo
aquilo estava acontecendo conosco. Nem um simples sorriso conseguíamos arrancar
dela para nos confortar. Foi com a ajuda de muitos amigos. Como exemplo: CARTAS: A e B